Manifestantes fazem protesto contra Lula na Avenida Paulista

Manifestantes contra o governo federal fizeram, na noite desta sexta-feira (4), um ato na Avenida Paulista, região central de São Paulo. O grupo se reuniu no vão livre do Masp para se manifestar a favor da 24ª fase da Operação Lava Jato, que envolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O protesto teve início no fim da tarde e foi encerrado às 20h50 com palmas para a Polícia Militar.

Os manifestantes levaram bandeiras do Brasil e comemoraram a condução coercitiva de Lula para depor à Polícia Federal. Um boneco Pixuleco com a imagem de Lula como presidiário foi colocado em um caminhão de som do MBL. Os manifestantes contra o Partido dos Trabalhadores se reuniram embaixo do vão do MASP, por volta de 19h. Vários movimentos estavam presentes, como o Solidariedade, o Movimento Endireita Brasil, o Brasil nas Ruas e o Avança Brasil. As pessoas aguardavam na calçada e seguiam para frente dos carros, com faixas e cartazes, toda vez que o sinal fechava. Alguns carros buzinavam em apoio. Um carro de som também acompanhou o ato. A bióloga Eliana Almeida disse que não é de nenhum movimento específico, mas que recebe mensagens de 32 grupos no celular. “Foi uma grande vitória [a condução do Lula]. Ele acha que está acima do bem e do mal.” A empresária Lucimara Rezende estava com uma bandeira do Brasil e também disse que estava comemorando o dia de hoje. “Sou filha de militar e estou envergonhada com o meu país. Os manifestantes cantaram o hino nacional duas vezes. Às 20h30, eles fizeram um “aplaudaço” para o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. O protesto foi encerrado às 20h50 com palmas para a Polícia Militar. Ao mesmo tempo, simpatizantes de Lula fizeram uma manifestação na sede da Central Única dos Trabalhadores na sede do Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Lula também compareceu ao local. A notícia que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conduzido coercitivamente por policiais federais para prestar depoimento pela 24ª fase da Operação Lava Jato na manhã desta sexta se espalhou rapidamente e movimentou a frente do prédio onde reside o petista, em São Bernardo do Campo, no ABC, e o saguão do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, onde Lula prestou depoimento por cerca de três horas. Houve tumulto e diversos confrontos entre manifestantes pró e contra Lula. A Polícia Militar precisou intervir.

24ª Lava Jato A Operação Lava Jato, que começou em março de 2014 e investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, chegou à 24ª fase nesta sexta. Segundo a PF, a operação ocorreu na casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo, e em outros pontos em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia. O Instituto Lula também é alvo da ação da PF. Ao todo, foram expedidos 44 mandados judiciais, sendo 33 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva – quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento. Duzentos policiais federais e 30 auditores da Receita Federal participam da ação, que foi batizada de “Aletheia”. O termo é uma é uma referência a uma expressão grega que significa “busca da verdade”.

No Rio de Janeiro, os mandados foram sendo cumpridos na capital, assim como na Bahia. Já em São Paulo, os municípios em que a operação foi realizada são: São Paulo, São Bernardo do Campo, Atibaia, Guarujá, Diadema, Santo André e Manduri. Investigaçães De acordo com o Ministério Público Federal (PMF), a ação foi deflagrada para aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de desvios da Petrobras, praticados por meio de pagamentos dissimulados feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao Lula e pessoas associadas. Há evidências de que o ex-presidente recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento triplex e do sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-Presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doaçães e palestras. No dia 29 de fevereiro, o procurador da República Deltan Dallagnol enviou uma manifestação à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo que uma investigação em curso sobre propriedades atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja mantida dentro da Operação Lava Jato, a cargo do Ministério Público Federal no Paraná. Coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, Dallagnol destacou que possíveis vantagens supostamente recebidas por Lula de empreiteiras teriam sido repassadas durante o mandato presidencial do petista.