/Frequentador mais velho do Centro do Idoso dá dicas de longevidade

Frequentador mais velho do Centro do Idoso dá dicas de longevidade

Nascido em 1922, ano em que ocorreu em São Paulo a Semana de Arte Moderna …−movimento que teve como meta renovar e transformar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura quanto nas artes plásticas, arquitetura e música …−, o aposentado Silvio Simioni usou o conceito chave desse movimento artístico, a mudança, para deixar de lado o abatimento após a viuvez e seguir a jornada da vida com o ajuda das atividades de lazer promovidas pelo Centro de Referência do Idoso (CRI), da Prefeitura de São Bernardo.

Do alto de seus 93 anos, o morador da Chácara Inglesa garante que o espaço foi um “grande achado” assim que perdeu a esposa, há 17 anos. Ele aconselha outros idosos a deixarem o sedentarismo de lado em benefício da velhice saudável. “Não existe na região espaço como este, em que a gente passa o dia se divertindo com os jogos (bocha, bilhar, dominó e cartas) e fazendo amigos. Faz muito bem à saúde física e mental. Não dá para ficar em casa no sofá vendo tevê. Aconselho que outros idosos venham para cá e aprendam a viver a terceira idade. Viver a terceira idade é manter o prazer de viver a vida, é conhecer pessoas, dançar, conversar”, ensina.

Natural de Duas Pontes, no interior paulista, Simioni, o mais idoso entre os que frequentam o CRI, busca na memória a infância para manifestar o amor pela vida. “Tive uma infância difícil. Minha mãe teve oito filhos. Eu tinha 8 anos quando meus pais se mudaram para Campinas para trabalharem em uma fazenda. Foi nessa idade que comecei a ajudar meu pai no campo e na lida com o gado. Na vida é assim. A gente tem de tirar liçães das dificuldades e tentar se fortalecer para colher coisas boas na vida, viver com prazer, alegria.”

Simioni mora há 73 anos em São Bernardo e virou “celebridade” no CRI. Já conquistou diversas medalhas nos jogos de bilhar e bocha, além de dois títulos de Mister São Bernardo da Terceira Idade. Ele se considera uma espécie de síndico do espaço. “Venho quase todos os dias a pé. Às vezes minha filha me traz de carro. Ficar em casa deixa a gente entediado. Aqui cuido para que fique tudo em ordem, cuido da limpeza das mesas de sinuca e da troca do tecido quando necessário. Também dou bronca quando vejo que alguém não está usando de forma correta. E eles me obedecem”, sorri.

Carinhosamente chamado por todos de “senhor Silvio”, o aposentado, que mora com a filha de 55 anos e um casal de netos, considera o CRI sua segunda casa. Ele revela que foi nos bailes da terceira idade que aprendeu a dançar. “Conheci minha falecida esposa em um casamento de uma prima depois que me mudei para São Bernardo. Eu tinha uns 20 anos. Eu trabalhava como pedreiro até me aposentar. O serviço era pesado, não tinha muita disposição para ir a bailes, festas, essas coisas. Vivia para cuidar da família. Mas, depois que passei a frequentar (o CRI), comecei a prestar atenção vendo os outros dançando e aprendi. Agora não falto nos bailes às sextas e domingos. Essas atividades deixam a gente mais disposto. Fazem bem para o corpo, a alma e a mente. Claro que o corpo sente um pouco o peso da idade, mas não me sinto com 93 anos”, diverte-se.

Além das atividades de lazer, como os jogos de sinuca e bocha e os bailes da terceira idade (nas tardes de sexta e domingo), o CRI também oferece diversas oficinas às pessoas com mais de 60 anos, entre elas teatro, piano, informática, pintura, violão e dança cigana.

Cerca de duas mil pessoas estão matriculadas nas oficinas e em torno de 200 frequentam o salão de jogos diariamente. As atividades são gratuitas. O CRI é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc).

FONTE PMSBC

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