Estudantes brasileiros criam jogo de celular para cegos

A ênfase gráfica dos jogos de videogame tende a ser implacável para quem possui algum tipo de deficiência visual. Ainda que parte dos títulos lançados atualmente busquem mitigar essa questão ao oferecer, por exemplo, opçães de brilho e de esquema de cores para daltónicos, quem sofre de perda de visão parcial ou total costuma ficar à parte desse tipo de diversão. Há, porém, exceçães. Uma delas, por sinal, motivou um grupo de cinco estudantes do curso de Jogos Digitais da Fatec de Carapicuíba (SP) a criar um jogo para celulares voltado aos cegos.

“A ideia surgiu quando buscávamos uma inspiração para nosso trabalho de conclusão de curso. Queríamos fazer algo diferente e o tema acessibilidade tem atraído bastante a atenção das pessoas”, afirma Rafael Freire (24), integrante do grupo composto por Afonso Rogatti de Melo (33), Giovanna da Silveira (25), Rodrigo da Silva (23) e Solange Domingues (22), sob orientação do professor Tarcísio Peres.

O foco em fazer algo direcionado aos deficientes visuais foi definido em 2014, após o grupo assistir um episódio do talk show “The Noite” no qual um rapaz cego derrotou o apresentador Danilo Gentili em uma sequência de partidas do game de luta “Dragon Ball GT Final Bout”, para PSOne. “O Gabriel Neves ganhou facilmente do Danilo e, com isso, percebemos que os deficientes visuais têm se adaptado aos jogos digitais da maneira que o jogo chega a eles. Tivemos então a ideia de criar um game somente para esse público, sem ser uma mera adaptação”.

Demanda específica

Assim surgiu “Novos Olhos”, game que conta a história de André, um jovem que foi congelado e acorda em um futuro distante e precisa se adaptar à nova realidade. Por meio de controles localizados nas extremidades da tela e instruçães sonoras …− que utilizam efeitos 3D para ajudar os jogadores a identificar onde está sua origem -, é possível controlar o personagem e realizar diversas tarefas.

“Criamos mecanismos para facilitar a interação de pessoas com diversos tipos de deficiência visual. Contamos com uma consultoria de pessoas da Fatec que têm esse tipo de limitação e, conforme o jogo passou a ter uma forma, levamos para a Fundação Dorina Nowill, em São Paulo, para mais testes”, conta Freire.