Da ponta dos dedos à nuvem: O avanço do livro para pessoas com deficiência visual

Um avanço no universo da leitura para as pessoas com deficiência visual se mostra necessário. Assim como houve a evolução dos escritos em pedras, pergaminhos, tipografias e hoje as obras estão online ao alcance de muitos, para as pessoas cegas ou com baixa visão também há um movimento revolucionário. “Quem não tem a visão como aliada só lê com os dedos” é uma constante, mas a leitura para quem é cego ou tem baixa visão conta com recurso de leitura acessíveis complementares ao conhecido braille, como o áudio e os impressos em letra ampliada, além dos materiais digitais acessíveis, que ganham mais um diferencial. Nisso está incluso o mobile, com o lançamento de um aplicativo para tablets e smartphones para favorecer e ampliar ainda mais as possibilidades de leitura para quem tem deficiência visual.

Como pensar em um aplicativo para celular, que possa atender mais do que as pessoas que tem deficiência visual, mas também que seja utilizado por disléxicos e quem e limitaçães para ler livros em formatos convencionais? O mundo da internet móvel em nuvem oferece novas oportunidades e requer soluçães de acessibilidade para todos os públicos, acompanhando a evolução das ferramentas já existentes.

O DDReader para Android entra no Google Play gratuitamente como uma grande novidade para atender a um público que já consome livros e tecnologia acessíveis. O leitor de livros digitais no formato Daisy, produzido no Brasil pela Fundação Dorina Nowill para Cegos, com interface em português, inglês e espanhol, trará muito mais títulos em outros idiomas, permitindo o contato e a interação com os livros a qualquer hora e em qualquer lugar devido à portabilidade dos aparelhos móveis. As pessoas cegas ou com baixa visão poderão aproveitar mais a nova era digital ao se cadastrar em bibliotecas online com acervo de títulos acessíveis, como a BookShare …− www.bookshare.com.

Não só para quem tem deficiência, a leitura é uma ferramenta de transformação indispensável. Prova disso é perceber que os materiais acessíveis seguem em processo de convergência total com o formato de mercado para atender a um público leitor em expansão. No Brasil, há mais de 6,5 milhães de pessoas com deficiência visual (IBGE/2010) e o impacto dos livros em formatos acessíveis …− braille, áudio, letra ampliada e o digital acessível …−, no entanto, pode chegar a uma população mundial de 285 milhães de pessoas, sendo 39 milhães de cegos e 246 milhães com baixa visão (OMS/2011). O livro digital acessível Daisy facilita a leitura de conteúdos de maior complexidade, como dicionários, que são quase impossíveis de serem lidos nos formatos braille e áudio. O DDReader para Android, gratuito e em código aberto, é uma ferramenta complementar ao braille no que diz respeito à leitura com a ponta dos dedos, agora se lê com os ouvidos e também de maneira portátil. O app chega a um público que já consome tecnologia e tem o desejo de ser inserido digitalmente. O app oferece interface inovadora em acessibilidade para Android, e trará, em breve, a capacidade de fazer downloads e até mesmo ler direto da nuvem. Como seria possível deixar de lado o avanço tecnológico para quem tem deficiência? A tecnologia se mostra para todos, com a leitura acessível não seria diferente.

O DDReader para Android terá lançamento oficializado pela Fundação Dorina na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O aplicativo irá revolucionar a leitura de livros digitais acessíveis Daisy.

Saiba mais:

5º CONGRESSO INTERNACIONAL CBL DO LIVRO DIGITAL

– 21 de agosto, 14h30, no Auditório Elis Regina Pedro Milliet será mediador de debate sobre a importância das publicaçães digitais na revolução da acessibilidade do mercado durante o 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. A discussão sobre o tema “EPUB 3 e a revolução da Acessibilidade no Mercado” envolverá os especialistas internacionais Stephen King (não o escritor, mas o presidente do grupo Daisy, de Londres) e José Borghino, da IPA …− Internacional Publishers Association. – 23 de agosto, 17h30, Espaço B2B Pedro Milliet abordará o case Fundação Dorina, discorrendo sobre os métodos de leitura com o DDReader e lançar o DDReader para Android.

– 24 de agosto, 16h30, Auditório da Escola do Livro Kristina Pappas, da Benetech, abordará o tema “Bookshare: fazendo leitura acessível para todos” será abordado pela maior biblioteca online de livros digitais acessíveis.

Inscriçães/informaçães: www.congressodolivrodigital.com.br

Fonte: Pedro Milliet(Texto) / Priscila Saraiva / Fundação Dorina Nowill