Andreense Bruno Wolf é um dos destaques do BBQ Brasil

Nascido e criado em Santo André, Bruno Wolf é um dos churrasqueiros amadores que disputaram o título de campeão na primeira edição do reality BBQ Brasil, transmitido pelo SBT. Aos 32 anos e detentor de uma gama diversificada de experiência profissional, hoje, tem a gastronomia como paixão, bem como os estudos sobre rótulos de cervejas. Ex-funcionário do Grupo HojeLivre, onde atuou como tratador de imagens, o “barbudão” aceitou falar com nossa equipe. Relembrou um pouco da infância e das tardes ao lado da avó no fogão e também pontuou como a participação na competição tem mudado sua vida e lhe ensinado. Acompanhe entrevista.

Jornal HojeLivre: Fale um pouco sobre você. Quantos anos tem? De onde é? Como foi a infância? Sua relação familiar…¦. Bruno Wolf: Minha história não é muito diferente da maioria das pessoas aqui do ABC. Nasci e passei em Santo André a vida toda (exceto por uns anos aqui e acolá). Tive uma infância simples e muito bacana, afinal, pude brincar na rua, aprontar um pouco, mas acho que sou a última geração que teve acesso à essa liberdade, o que, para mim, foi bom. Não fui exatamente a criança mais popular do mundo mas acho que isso importou pouco. Tive amigos, me divertia com aquelas coisas de jogar bola no portão alheio, foi bem legal mesmo. Não era uma criança rica mas sempre tive tudo que precisei, então, não posso reclamar. Minha família é bem normal: pai, mãe e um irmão. Nos damos bem, na medida do possível. Convivência entre quatro pessoas nunca é um mar de rosas…¦ mas conseguimos viver bem. Não estudei em escolas caras, na verdade, estudei minha vida toda em escolas públicas, Já faculdade eu comecei tantas que nem me lembro mais todas elas. Nenhuma me empolgou e eu sempre gostei mais de trabalhar do que de ficar em sala de aula. Acabei por não ter bacharel em nada, mas a escola da vida me deu algumas profissães. Portanto, sou grato e não me arrependo. Mas não sei se aconselharia esse mesmo caminho das pedras.

HL: Vocêsempre gostou de cozinhar? Como isso começou? BW: Sempre gostei de comida. Nem quando muito criança tive problemas com comida. Sempre adorei comer de tudo. Não fiquei desse tamanho escolhendo o que comer, mas acho que as primeiras recordaçães de cozinha ficam entre mais fortes quando lembro de estar lá com minha avó e do período em que meus pais trabalhavam o dia todo e eu ficava sozinho, em casa. Lembro que esquentava meu almoço, mas é tudo meio vago e eu não sei bem dizer quantos anos eu tinha quando comecei a me aventurar. Só sei que era bem pequeno. Desde então, sempre acabei fazendo comida para os amigos nas festas e tudo mais. Me lembro de uma situação interessante: minha primeira receita “exótica” foi em uma viagem pelo Rio Grande do Sul, em que acabamos na casa de um rapaz que tinha a pior dispensa que já vi na minha vida. Preparei um arroz que tive que refogar sem alho, cebola ou outro tempero. Apenas sal e aquele salgadinho Pingo de Ouro. Foi um desastre completo, mas o pessoal não morreu de fome!

HL: Tem especialização na área de gastronomia? BW: Nenhuma. Gosto de estudar muito e os longos papos com os amigos sempre ajudaram. Tive três pessoas que me ajudaram muito: o Silvio Ciprini, Lucas Benatti e Claudio Roberto Santos. Todos são chefes profissionais. Sempre aturaram minha presença na cozinha! Talvez isso e o meu conhecimento sobre a história da comida possam ser levados em conta como formação, experiência, mas diploma mesmo”tó” longe.

HL: O que fazia antes de se aventurar no fogão? BW: A lista é longa. Fui publicitário, trabalhei na imprensa, trabalhei com pré-impressão, gerenciamento de cor de impressão, garçom, ajudante de caminhão, músico e muito mais coisa…¦ Sempre gostei de novos desafios.

HL: Qual a experiência em gastronomia que tem? BW: Acho que ter comandado um bar por seis anos é a mais relevante. E sabe como é, né? Pequeno comerciante aqui é uma situação na qual você faz de tudo, desde lavar banheiro até desenvolver cardápio. Acho que meu período no AsgardPub foi bem relevante na minha conduta atrás de um fogão.

HL: Alguma preferência na gastronomia? O que mais gosta de cozinhar? BW: Tenho paixão por produtos com tipicidade, ou “terroir” se preferir o termo francês. Tudo que tem referência à uma região e não pode ser transportado para a grande indústria me encanta, tanto na comida quanto no ramo de cervejas e vinhos. Isso está muito vivo ainda. Existem comidas que quando a gente experimenta é como viajar para o loca ou para época. É quase mágico o que se sente. Eu gosto da comida francesa clássica, mas não dispenso a portuguesa e a mineira. Meu encanto pela italiana e sua sutileza também é enorme, infelizmente, tenho quase que nenhum conhecimento da comida oriental, quem sabe um dia. Na minha cozinha, eu gosto muito de pratos antigos, com história da combinação das frutas silvestres e carnes de caça…¦ dos pães de campanha. Acho que o maior exemplo disso é minha paixão por cervejas de fermentação espontânea, que trazem toda essa experiência!

HL: Inventa pratos/receitas? Que tipo sua imaginação mais cria? BW: Não me sinto qualificado para dizer que eu crio uma receita, mas eu dou minhas pinceladas no quadro, as vezes. Gosto muito de curas e defumaçães misturadas com frescor e ervas, fermentaçães selvagens e tudo mais. Adoro a acidez das frutas selvagens com a intensidade da carne, gosto de desafios e tento evitar a comida mais moderna. Não sou daqueles caras que vive por bacon e lanches, prefiro os presuntos espanhóis ou as misturas gaulesas de mel frutas e cozidos. A páprica húngara faz mais minha cabeça que essas pimentas modernas.

HL: E sua paixão por cervejas? Começou quando? Como estuda o ramo? BW: Essa é meu encanto, a menina dos meus olhos. Olha, a paixão por cerveja começou quando um amigo uruguaio estava morando por aqui e a gente vivia junto. Descobrimos alguns cantos com algumas cervejas diferentes, mas isso tem 15 anos ou mais. Não eram tantas marcas e tantos estilos e a gente só bebia por beber. Depois, com o tempo, a coisa foi ficando mais profunda. Comecei a ler a estudar muito sobre os estilos e o que cada ingrediente fazia. Hoje em dia, além de muitos amigos na área e de ter mantido um bar que só trabalhava com cervejas, um primo que é um dos cervejeiros mais famosos do brasil, o Victor Pereira Marinho, me ajuda a ter acesso a muita coisa. E no caso da cerveja, a melhor forma de estudar é bebendo, se permitindo às novas sensaçães. Tenho um orgulho imenso de como a coisa se desenvolveu aqui no Brasil. Pensa que num país onde você não achava nem as cervejas locais, hoje, encontramos toda a linha “fantome”, e com mais facilidade do que no país de origem, a Bélgica. Se puder citar algumas cervejas que eu acho que ninguém deveria morrer sem provar fico com a “duchesse de bourgogne”, qualquer uma das “hanssens” e sempre é bom lembrar das cervejas nacionais mais queridas como a Júpiter, A Seasson, a Suméria …− que tem uma com cambuci que é verdadeira obra de arte. Acho que se fosse citar todas aqui ia passar anos falando. Bom, o que vale é experimentar e se permitir. Trata-se de um mundo enorme que vale muito a pena ser explorado!

HL: E a experiência no reality? Você quem se inscreveu? BW: Poxa! Foi um amigo quem viu e disse que eu deveria tentar. Mande a ficha e o pessoal me chamou. Foi muito bacana. Fiz alguns testes e quando vi estava lá aprontando minhas coisas junto com o povo, na verdade, não teve muita mágica não, foi mandar a ficha e fazer os testes.

HL: Como tem sido o apoio de amigos e familiares? BW: Acho que o pessoal está curtindo até mais do que eu, viu? Recebo muitas mensagens do pessoal e fico feliz de estar proporcionando entretenimento e um pouco de cultura para todos.

HL: O que mais tem aprendido com essa experiência? BW: Sobreviver aquele sol de 50 mil graus sem virar uma pururuca (risos). A disciplina de um programa é algo muito pesado. As pessoas por trás desse tipo de trabalho são sérias e bem rígidas e profissionais. No mais, lá só tem gente qualificada, então, todos os dias tenho uma aula com alguém. Tirando as queimaduras de sol está sendo tudo muito positivo.

HL: E a relação com os demais concorrentes? BW: São todos muito bons no que fazem, sem dúvida. Claro que a gente pega amor mais por uns do que por outros, mas de forma geral, adoro todos aqueles seres. Cada um, na sua maneira, me ensina muito todos os dias!

HL: Tem alguma especialidade sua que ainda não pode apresentar nos episódios? BW: Muitas. Eu sou da cozinha mais fresca, com mais tempo, mais equipamentos. Em muitos momentos ali eu fico perdido por conta da falta de tempo, entre outros detalhes. Mas acho que o legal é isso, uma pena mesmo não poder fazer coisas mais típicas e de maior tempo de preparo. Só queria poder fazer um “stoofvlees” ou um lombo no “sous vide”, mas parece que pedir 12 horas para preparar um prato atrasa um pouco o cronograma né?

HL: Preparar carnes é mais difícil do que outras receitas? BW: Carnes, em geral, tem uma característica que as torna bem únicas na cozinha. A questão da matriz é 80% do final. Carne precisa ter qualidade. Se o animal não for de qualidade você vai acabar é tendo o triplo de trabalho e um resultado deficiente ainda. Claro que com os outros insumos isso também é importante, mas é mais fácil você dar um jeitinho e na carne fica complicado. HL: O que pretende fazer quando acabar o programa? BW: Gostaria de trabalhar na área, aliás quem tiver propostas só me chamar.